O sistema não nasceu sem propósito. Foi forjado no silêncio obscuro, erguido como prisão sem muros, tecido através do véu que cega olhos humanos. Nele, os homens permanecem adormecidos, inertes, alimentando a engrenagem com seu próprio sangue. Trabalhando, procriando, obedecendo. Sobrevivendo pensando estar vivendo. São sombras, peças teatrais, ocultadas no inconsciente. Atores de um roteiro escrito por mãos impiedosas. Moldados para que não haja distinção entre dever e existência, prisão com falso livre-arbítrio, correntes cruéis do destino. Eis o engano: a realidade controlada tornou-se doutrina, a alienação, fé. O cárcere constituiu-se dentro da mente, o espírito esqueceu o que é ser livre. No entanto, falácias não permanecerão ocultas eternamente. Há uma centelha em nosso âmago que não pode ser apagada, um sussurro ecoando entre ruínas do silêncio. Ela chama: desperta! Ela grita: rompa o ciclo! Pois é chegado o tempo em que muros invisíveis, ludibriantes sejam vistos como são: pó. ...
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